Pode ser o trânsito caótico, a pressão e a cobrança no trabalho, a ansiedade por resultados positivos em diversos aspectos da vida, a correria, ou a insegurança nas ruas, carros, trens e ônibus. Seja qual for o motivo, o fato é que para viver nas grandes cidades é preciso ter nervos de aço.

Segundo estimativa da Universidade de São Paulo (USP), 60% dos paulistanos sofrem de estresse, doença cada vez mais comum, principalmente nos grandes centros. “O estresse é uma defesa do organismo. O problema é quando ele se torno crônico”, afirma a médica Alexandrina Melleiro, especialista em psiquiatria pela Associação Brasileira de Psiquiatria.

Ela explica que, dependendo da fragilidade da pessoa, o estresse emocional pode desencadear outras patologias como pressão alta, dores de cabeça, gastrite, depressão, síndrome do pânico, fobia e, até mesmo, levar ao suicídio. Também tem sido uma das principais causas da obesidade, devido ao descontrole na alimentação e à falta da prática de uma atividade física. Para amenizar, ela lembra que muita gente acaba recorrendo ao cigarro, ao álcool e a outros tipos de drogas, se tornando dependente químico sem perceber.

Mas como saber se você é uma pessoa estressada?

Segundo a psiquiatra, o corpo dá sinais que dependem da causa do estresse. Entre os sintomas estão insônia, dor de cabeça e o baixo rendimento no trabalho. “A pessoa faz hora extra sem ser paga, não consegue se desvincular do trabalho mesmo estando em casa”, alerta a especialista. De forma inconsciente, o estressado se distancia daquilo lhe traz desconforto e pode se tornar mais ríspido, cético e irritado.

Entre os tipos de estresse está o pós-traumático. Como o nome já diz, é desencadeado por uma causa determinada que pode ser um tipo de violência como sequestro, agressão, roubo, queda de aviões ou até ficar preso num elevador. Nesses casos, Alexandrina explica que é muito comum a vítima ficar revivendo aquela cena, principalmente em sonhos.

O medo pode ter virado fobia e, para evitar que aquela situação se repita, a pessoa deixa de frequentar lugares que se lembrem a violência sofrida, por exemplo. É nesse ponto que o medo vira doença e é tido como preocupante pelos médicos, já que limita a vida da vítima, obrigando-a a mudar seu comportamento ou até mesmo para um trabalho localizado mais perto de casa. Para saber se esse é o seu caso, a dica é procurar um especialista, pois o tratamento varia de paciente para paciente.

Mas, nem todo mundo pode simplesmente mudar de bairro, cidade ou emprego para ter mais qualidade de vida. Então, a dica da especialista é tentar adaptar a rotina, incluindo no dia a dia hábitos saudáveis como uma alimentação balanceada, a prática de uma atividade física não competitiva e a participação em grupos voluntários.

Cantar, dançar, dormir de seis a oito horas e fazer pequenas pausas durante o dia também podem ajudar a pessoa a viver de forma um pouco mais tranquila, garante a psiquiatra.